A alimentação é, na maioria dos casos, o maior custo da criação de galinhas. Dependendo do sistema de produção, a ração pode representar entre 60% e 75% de todos os custos de criação, tanto para frangos de corte como para galinhas poedeiras. Em Moçambique, onde os preços dos ingredientes variam frequentemente devido ao transporte, importações e disponibilidade de milho e soja, este impacto pode ser ainda maior.
A ração é a coisa mais cara na criação de galinhas?
Quem começa a criar galinhas normalmente preocupa-se com a compra dos pintos, a construção do galinheiro ou a aquisição dos equipamentos. No entanto, depois de algumas semanas, a realidade torna-se evidente: o maior gasto da exploração é quase sempre a ração.
É comum um produtor investir uma quantia significativa para montar o aviário e acreditar que, depois disso, as despesas serão reduzidas. Mas, dia após dia, as galinhas precisam de comer para crescer, produzir carne ou pôr ovos. Como a alimentação é um custo diário e contínuo, acaba por representar a maior parte do dinheiro gasto durante todo o ciclo de produção.
Em pequenas machambas familiares ou em explorações comerciais, a ração influencia diretamente a rentabilidade. Basta um aumento no preço dos alimentos para reduzir significativamente o lucro do produtor.
Porque é que a ração representa o maior custo?
As galinhas são animais que necessitam de uma alimentação equilibrada para desenvolverem todo o seu potencial. Uma ração de qualidade fornece energia, proteínas, vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais para o crescimento e a produção.
Ao contrário de outros custos, como a construção do galinheiro ou a compra dos equipamentos, que normalmente são feitos apenas uma vez, a alimentação acontece todos os dias.
Por exemplo, um frango de corte pode consumir entre 4 e 6 kg de ração até atingir o peso ideal para venda. Quando um produtor cria centenas ou milhares de aves, o consumo total torna-se muito elevado.
Nas galinhas poedeiras, a situação é semelhante. Uma ave adulta pode consumir cerca de 110 a 120 gramas de ração por dia. Multiplicando esse valor por dezenas ou centenas de aves durante vários meses, percebe-se rapidamente porque a alimentação absorve grande parte do orçamento da exploração.
Quanto da produção é gasto com alimentação?
Embora os valores possam variar conforme o sistema de produção, é comum encontrar a seguinte distribuição dos custos:
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Alimentação: 60% a 75%
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Pintos ou frangas: 10% a 20%
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Medicamentos e vacinas: 5% a 10%
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Energia, água e mão de obra: 5% a 10%
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Outros custos: restante percentagem.
Isso significa que pequenas melhorias na gestão da alimentação podem gerar economias muito maiores do que cortar despesas em outras áreas.
Porque a ração está cada vez mais cara em Moçambique?
Nos últimos anos, muitos criadores moçambicanos sentiram o aumento constante dos preços das rações.
Existem várias razões para isso.
Uma delas é o custo das matérias-primas, principalmente milho e farelo de soja, que podem sofrer oscilações devido às condições climáticas, produção agrícola e mercado internacional.
Além disso, o transporte também pesa bastante no preço final. Em muitas províncias, a ração percorre centenas de quilómetros até chegar às lojas agrícolas, aumentando os custos logísticos.
Outro fator importante é a dependência de ingredientes importados utilizados na formulação das rações comerciais.
Quando ocorre valorização do dólar ou aumento dos custos de importação, o preço pago pelo produtor também sobe.
Vale a pena comprar a ração mais barata?
Nem sempre.
Muitos iniciantes acreditam que escolher a ração mais barata reduz os custos da criação. No entanto, essa decisão pode sair muito cara.
Uma ração de baixa qualidade pode apresentar menos proteína, menor digestibilidade ou ingredientes inferiores. Como consequência, as aves crescem mais lentamente, produzem menos ovos ou necessitam de mais alimento para atingir o peso desejado.
No final, o produtor acaba por gastar mais dinheiro do que teria gasto comprando uma ração de melhor qualidade.
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Como reduzir os custos com alimentação?
Reduzir o custo da ração não significa alimentar menos as galinhas. Pelo contrário, significa utilizar melhor cada quilograma de alimento.
Algumas práticas podem ajudar:
Escolha uma ração adequada para cada fase de crescimento das aves.
Evite desperdícios utilizando comedouros bem regulados.
Proteja a ração da humidade, chuva e roedores.
Armazene os sacos em local seco, limpo e ventilado.
Forneça água limpa e fresca, pois aves bem hidratadas aproveitam melhor os nutrientes da alimentação.
Faça o controlo de doenças e parasitas, uma vez que aves doentes convertem pior a ração.
Estas medidas simples podem melhorar significativamente a eficiência alimentar.
Produzir ração própria compensa?
Alguns produtores optam por fabricar a própria ração utilizando milho, farelo de soja, farelo de trigo, calcário, premix vitamínico e outros ingredientes.
Esta estratégia pode reduzir custos quando existe conhecimento técnico e acesso a matérias-primas de qualidade.
No entanto, formular uma ração sem equilíbrio nutricional pode provocar crescimento lento, baixa produção de ovos e aumento da mortalidade.
Por isso, quem pretende produzir a própria alimentação deve procurar orientação técnica antes de alterar a dieta das aves.
A genética também influencia o consumo?
Sim.
Cada raça ou linhagem apresenta características próprias.
Frangos modernos possuem excelente conversão alimentar, ou seja, conseguem transformar menos ração em mais carne.
Da mesma forma, galinhas poedeiras selecionadas produzem um elevado número de ovos consumindo relativamente pouca ração.
Escolher aves de boa qualidade genética também contribui para reduzir o custo por quilograma de carne ou por dúzia de ovos produzidos.
O desperdício pode aumentar muito os custos
Um erro frequente entre pequenos criadores é encher completamente os comedouros.
Quando isso acontece, as galinhas espalham parte da ração pelo chão enquanto procuram os grãos que preferem. Além do desperdício, o alimento que cai no solo pode ser contaminado por fezes, humidade ou pragas.
Mesmo uma pequena perda diária torna-se significativa ao longo de vários meses. Em explorações maiores, alguns quilos desperdiçados por dia representam centenas de quilos perdidos no final do ano.
Conclusão
Sim, a ração é normalmente o maior custo na criação de galinhas e pode representar até três quartos de todas as despesas da exploração. No entanto, isso não significa que o produtor deva procurar apenas o alimento mais barato. A verdadeira economia está em utilizar uma ração de qualidade, evitar desperdícios, armazenar corretamente os alimentos e garantir que as aves aproveitam ao máximo cada quilograma consumido.
Uma boa gestão da alimentação é um dos fatores que mais influenciam o sucesso da criação. Quando o produtor controla este custo de forma inteligente, aumenta a produtividade, reduz perdas e melhora a rentabilidade da sua atividade, seja numa pequena machamba familiar ou numa exploração comercial em Moçambique.