Maputo, Moçambique – Numa jogada estratégica para estabilizar o mercado agrário e garantir a previsibilidade na presente época agrícola, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), em estreita coordenação com o Fórum Nacional dos Produtores de Algodão e de Oleaginosas e a Associação Algodoeira e de Oleaginosas de Moçambique, alcançou um consenso crucial sobre a proposta de preços mínimos de referência para a comercialização do algodão e de oleaginosas para a Campanha 2025/26.

Os novos valores acordados estabelecem uma base de negociação fixada em 27,00 MT/Kg para o algodão caroço, 70,00 MT/Kg para o gergelim, 30,00 MT/Kg para a soja e 32,00 MT/Kg para o girassol. Adicionalmente, foi definida uma taxa de 6,00 MT/Kg para o descaroçamento do algodão. Esta tabela indicativa será agora submetida ao Conselho de Ministros para a devida apreciação e aprovação final.

O entendimento foi selado durante a Reunião de Negociação do Preço Mínimo do Algodão e Oleaginosas, sob a direção do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino. O encontro reuniu na mesma mesa produtores, empresas fomentadoras e diversos parceiros estratégicos da cadeia de valor.

Rigor na qualidade e novos comités distritais

Mais do que a simples definição de números, o encontro colocou no centro do debate a urgência da diferenciação de preços baseada na qualidade do produto final. Os intervenientes foram unânimes ao reforçar que a real valorização e competitividade da produção nacional no mercado regional dependem do cumprimento rigoroso dos padrões estabelecidos.

Como resposta prática para blindar o mercado contra assimetrias e garantir total transparência nas transações de compra e venda, o executivo anunciou medidas de fiscalização no terreno:

  • Comités Locais de Arbitragem: Os Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE) receberam orientações diretas para criar comités locais focados na resolução rápida de disputas comerciais entre produtores e compradores.

  • Mostruários de Referência: Serão distribuídos mostruários físicos nas zonas de comercialização para apoiar a distinção visual e técnica entre produtos de primeira e segunda qualidade, protegendo o rendimento do agricultor.

Comité técnico permanente garante previsibilidade

A grande novidade estrutural desta campanha é a criação de um comité técnico permanente. Este órgão consultivo, que junta técnicos especializados do setor público e representantes das associações de produtores e industriais, terá a missão de monitorizar mensalmente todas as variáveis globais e locais que influenciam as fórmulas de cálculo dos preços. A medida visa introduzir maior transparência e evitar sobressaltos nas próximas campanhas agrícolas.

No encerramento da ronda negocial, o Ministro Roberto Mito Albino destacou que a edificação de um setor agrário forte e competitivo não se faz de forma isolada. O governante vincou que o alinhamento e o trabalho coordenado entre todos os atores da cadeia de valor são o único caminho viável para alcançar resultados consistentes, rumo ao objetivo maior de alimentar Moçambique.