Quando um criador pergunta o que é bom para misturar na ração das galinhas, a resposta não deve começar com uma lista de ingredientes baratos, mas com uma regra importante: uma boa ração precisa fornecer energia, proteína, minerais, vitaminas e aminoácidos nas proporções adequadas à idade e ao objetivo da ave. Milho, farelos e outras matérias-primas disponíveis em Moçambique podem fazer parte da alimentação, mas simplesmente juntar vários produtos não garante uma ração equilibrada.

Na criação de frangos e galinhas, a alimentação influencia diretamente o crescimento, a postura, a resistência das aves e o custo de produção. Por isso, tentar reduzir despesas diluindo uma ração comercial com grandes quantidades de milho, mandioca ou farelo pode acabar saindo mais caro. A ave pode comer, ficar com o papo cheio e, mesmo assim, não receber os nutrientes necessários.

Para pequenos criadores em Moçambique, o caminho mais seguro é entender a função de cada ingrediente antes de fazer qualquer mistura.

Milho é uma importante fonte de energia

O milho é um dos primeiros ingredientes lembrados quando se fala em alimentação de galinhas. Existe uma boa razão para isso: é uma fonte importante de energia e aparece frequentemente na formulação de rações para aves.

A galinha precisa de energia para manter o organismo, movimentar-se, crescer e produzir ovos. No caso dos frangos de corte, uma alimentação energeticamente adequada contribui para o ganho de peso.

Isso não significa que milho sozinho seja uma ração completa.

Um erro comum é comprar uma ração balanceada e acrescentar uma grande quantidade de milho moído para fazê-la durar mais. O custo por saco pode aparentemente diminuir, mas a concentração de proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais da dieta também diminui.

Se a ração foi fabricada para ser fornecida diretamente às aves, o produtor deve seguir as orientações do fabricante antes de adicionar outros ingredientes.

Quando o objetivo é formular a própria ração, o milho pode ser uma das principais fontes energéticas, mas precisa ser combinado corretamente com fontes de proteína, minerais, vitaminas e outros nutrientes.

Farelo de soja ajuda a fornecer proteína

Farelo de soja ajuda a fornecer proteína

Se o milho ajuda principalmente na energia, uma boa formulação também precisa prestar atenção à proteína e aos aminoácidos.

O farelo de soja é amplamente utilizado na alimentação de aves justamente por possuir elevado teor proteico e bom perfil nutricional. Ele pode complementar dietas baseadas em cereais, que sozinhos não conseguem atender adequadamente todas as necessidades da ave.

Essa proteína torna-se especialmente importante durante o crescimento.

Um pintinho está formando músculos, penas, órgãos e tecidos rapidamente. Se a dieta não fornecer proteína e aminoácidos suficientes, o desenvolvimento pode ser prejudicado. Nas poedeiras, a nutrição também influencia a capacidade de manter uma produção adequada de ovos.

Entretanto, colocar mais farelo de soja sem cálculo não significa produzir uma ração melhor. Uma formulação eficiente procura equilíbrio, e não simplesmente a maior quantidade possível de um nutriente.

Farelos disponíveis localmente podem ser aproveitados, mas com cuidado

Dependendo da região de Moçambique, o criador pode encontrar subprodutos agrícolas que parecem interessantes para reduzir custos. Farelos provenientes do processamento de cereais são exemplos.

Alguns desses produtos podem fazer parte da alimentação animal, mas existem grandes diferenças na composição nutricional.

Um farelo muito fibroso, por exemplo, não substitui automaticamente milho ou soja. As aves possuem limitações para aproveitar dietas com excesso de determinados componentes fibrosos. Também é preciso considerar humidade, armazenamento, contaminação e qualidade da matéria-prima.

Por isso, o preço por quilograma não deve ser o único critério.

Um ingrediente barato que obriga a galinha a consumir mais alimento para obter os nutrientes de que precisa pode não representar verdadeira economia.

Cálcio é importante para galinhas que colocam ovos

Quem cria galinhas poedeiras precisa prestar atenção especial ao cálcio.

A casca do ovo exige uma quantidade considerável desse mineral. Quando a alimentação da poedeira não atende adequadamente às suas necessidades, podem surgir problemas relacionados à qualidade da casca e ao desempenho produtivo.

Fontes de cálcio próprias para alimentação animal podem ser incorporadas numa formulação equilibrada. O calcário calcítico destinado à nutrição animal é um exemplo utilizado em rações.

Mas aqui aparece novamente a importância da fase da ave.

As necessidades nutricionais de uma poedeira em produção não são iguais às de um pintinho. Portanto, não é correto preparar uma única mistura e fornecê-la indiscriminadamente a todas as aves da criação.

Uma ração deve acompanhar a idade e finalidade do animal.

Vitaminas, minerais e aminoácidos não podem ser esquecidos

Vitaminas, minerais e aminoácidos não podem ser esquecidos

É relativamente fácil olhar para um saco de milho ou soja. Mais difícil é enxergar os micronutrientes que a galinha também precisa.

Uma formulação completa normalmente necessita de vitaminas e minerais em quantidades muito menores que os ingredientes principais. Aminoácidos essenciais, como lisina e metionina, também são considerados na formulação profissional de rações para aves.

É aqui que entram produtos como os premixes, preparados para fornecer micronutrientes em concentrações determinadas.

Entretanto, um premix não deve ser utilizado “a olho”. Existem produtos diferentes e concentrações diferentes. A quantidade correta depende das instruções do fabricante e da formulação utilizada.

Colocar pouco pode deixar a dieta deficiente. Colocar excessivamente determinados nutrientes também pode causar problemas.

Por isso, quando o produtor pretende fabricar grandes quantidades de ração, procurar orientação de um nutricionista animal, técnico pecuário ou profissional qualificado pode evitar prejuízos muito maiores que o custo da assistência.

E a mandioca pode ser misturada na ração?

A mandioca é relevante em Moçambique e pode despertar interesse como fonte alternativa de energia. Produtos derivados da mandioca podem ser utilizados na alimentação animal quando devidamente processados e incorporados numa dieta formulada corretamente.

Mas mandioca não deve simplesmente substituir o milho na mesma quantidade sem reformular a dieta.

Sua composição nutricional é diferente e a mandioca pode conter compostos cianogénicos, cuja concentração e risco dependem da variedade e do processamento. Secagem e outros métodos adequados de processamento são importantes quando produtos de mandioca são destinados à alimentação animal.

Portanto, aproveitar uma matéria-prima disponível localmente pode ser interessante, mas “é produzido na machamba” não significa automaticamente “pode entrar livremente na ração”.

Não misture ingredientes mofados ou estragados

Existe ainda uma regra que pode evitar perdas graves: não utilizar milho, amendoim ou outros ingredientes visivelmente mofados, deteriorados ou mal armazenados para alimentar as galinhas.

Alguns fungos podem produzir micotoxinas. As aflatoxinas, por exemplo, representam um problema conhecido em matérias-primas como milho e amendoim quando as condições favorecem o desenvolvimento dos fungos.

Retirar apenas a parte aparentemente estragada não garante que o restante esteja seguro.

Os ingredientes destinados à ração devem permanecer secos, protegidos de chuva, humidade, roedores e contaminações. Comprar matéria-prima barata e depois perdê-la por armazenamento inadequado não reduz o custo da criação.

Então, qual é a melhor mistura para ração?

Então, qual é a melhor mistura para ração

Não existe uma única receita que seja ideal para todas as galinhas. Um pintinho, um frango de corte em crescimento e uma galinha poedeira possuem necessidades diferentes. Até dentro da produção de frangos existem mudanças nutricionais conforme as aves avançam de fase.

De maneira geral, uma formulação pode combinar fontes de energia, como milho; fontes proteicas, como farelo de soja; fontes minerais adequadas; premix de vitaminas e minerais e, quando necessário, aminoácidos e outros componentes definidos pela formulação.

A quantidade de cada ingrediente é justamente a parte que não deve ser improvisada.

Se o criador já compra uma ração comercial completa, a opção mais segura geralmente é fornecê-la conforme as recomendações do fabricante, em vez de diluí-la com milho ou farelos para aumentar o volume.

Para quem pretende fabricar ração na própria exploração, utilizar matérias-primas disponíveis em Moçambique pode ajudar a controlar custos, principalmente quando se trabalha com muitos frangos. Porém, é necessário formular com base nas necessidades nutricionais das aves e nos nutrientes realmente presentes nos ingredientes.

No final, o melhor ingrediente para misturar na ração não é simplesmente o mais barato. É aquele que fornece o nutriente necessário, possui boa qualidade e entra na proporção correta. Uma galinha não transforma quantidade de comida automaticamente em crescimento ou ovos. Ela precisa receber uma dieta equilibrada.