Como pode um fertilizante comprado para dar força e acelerar o crescimento das culturas acabar por secar, amarelar e até matar as plantas na machamba? A resposta para a frustração de ver as folhas a murchar poucos dias após a adubação está na forma como a ureia reage quimicamente em contacto com a água, com o solo e com os tecidos vegetais. Embora seja a fonte de nitrogênio mais rica e barata do mercado, a ureia é também um fertilizante de altíssima concentração salina e forte alcalinidade inicial, o que a torna extremamente agressiva se for aplicada de forma incorreta.
O principal motivo pelo qual a ureia "queima" as plantas é o efeito osmótico causado pela sua elevada quantidade de sais. Quando o agricultor deposita os grânulos brancos de ureia muito próximos do caule, da raiz ou diretamente sobre as folhas, o adubo cria uma concentração salina no solo muito maior do que a presente no interior das células da planta.
Por uma lei natural da biologia, a água move-se sempre do local menos salgado para o mais salgado. Em vez de a raiz absorver água da terra, a ureia acaba por puxar a água de dentro da própria raiz para fora. Esse processo desidrata a planta rapidamente de baixo para cima, fazendo com que as pontas das folhas fiquem castanhas, secas e com aspeto de queimadas pelo fogo.
Além da pressão salina, existe uma reação química perigosa que ocorre nos primeiros dias após a aplicação do adubo na terra. A ureia precisa da humidade do solo e de uma enzima natural chamada urease para se transformar no nitrogênio que a cultura consegue alimentar-se. Durante as primeiras 48 a 72 horas dessa transformação, gera-se uma grande quantidade de gás amônia e um aumento temporário, mas muito elevado, do pH ao redor do grânulo. Se a ureia for colocada colada às raízes jovens ou enterrada junto com a semente no momento da sementeira, a amônia libertada nessa reação ataca e destrói as delicadas membranas celulares da raiz, impedindo a planta de absorver nutrientes para sempre.
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importância da agricultura em moçambiqueOutro erro frequente que causa a queimadura foliar é a adubação de cobertura realizada com o solo seco ou nas horas de calor intenso. Quando se espalha ureia sobre a machamba sob o sol forte do meio-dia, o calor acelera a libertação do gás amônia. Esse gás sobe e entra em contacto com as folhas mais baixas da cultura que ainda estão húmidas de orvalho ou de regas anteriores. A mistura do gás amônia com a humidade presente na superfície da folha forma uma solução alcalina corrosiva que dissolve a camada protetora da folha, deixando manchas queimadas de tom amarelado ou acinzentado por toda a lavoura.
Para travar de imediato a destruição das plantas e garantir que a ureia cumpra o seu papel de fortalecer a colheita, o agricultor deve adotar três cuidados fundamentais no manejo diário do campo. Em primeiro lugar, respeite sempre a distância de segurança: a ureia nunca deve tocar o caule, o tronco ou a semente. Em culturas como o milho, o tomate ou o pimento, abra um pequeno rego a cerca de sete a dez centímetros de distância da planta e deposite aí o fertilizante.
Em segundo lugar, nunca deixe a ureia visível ao sol; cubra-a imediatamente com uma camada de três a cinco centímetros de terra húmida para que o solo absorva os gases nocivos. Por fim, adube sempre nas horas mais frescas do dia ao início da manhã ou no final da tarde e certifique-se de que a terra já está devidamente irrigada antes de receber o adubo.