Quando se fala dos maiores produtores de cebola em Moçambique, Nampula ocupa a primeira posição entre as províncias, considerando os dados do Inquérito Agrário Integrado (IAI) 2023 para pequenas e médias explorações. A província registou uma produção estimada de 86.267 toneladas, bastante acima das restantes regiões do país. Depois aparecem Gaza, com 41.284 toneladas, Tete, com 36.424 toneladas, e Manica, com 25.443 toneladas.

No total, as pequenas e médias explorações moçambicanas produziram aproximadamente 254.292 toneladas de cebola, numa área estimada em 28.172 hectares. Os números mostram que a produção está espalhada pelo país, mas algumas províncias assumem uma importância muito maior no abastecimento nacional.

Para agricultores e comerciantes, saber onde a cebola é mais produzida não é apenas uma curiosidade. Essa informação ajuda a perceber onde existe maior concentração de produtores, quando pode haver maior oferta no mercado e quais regiões têm potencial para aumentar a produção comercial.

Nampula é a maior produtora de cebola de Moçambique

Os dados oficiais colocam Nampula claramente na liderança. Em 2023, a província apresentou aproximadamente 10.149 hectares dedicados à cebola, dos quais foi estimada uma produção de 86.267 toneladas.

Isso representa perto de 34% de toda a produção nacional registada para pequenas e médias explorações. Em outras palavras, aproximadamente uma em cada três toneladas contabilizadas nessa estimativa nacional veio de Nampula.

A dimensão da área cultivada também chama atenção. Dos 28.172 hectares registados no país, mais de 10 mil estavam em Nampula. Nenhuma outra província apresentou área semelhante.

Entretanto, ser a maior produtora não significa necessariamente possuir a maior produtividade por hectare. Nampula destaca-se principalmente pelo tamanho da área dedicada à cultura e pelo volume total produzido.

Esse detalhe é importante para quem pretende analisar oportunidades. Uma região pode produzir muito porque possui milhares de agricultores e uma grande área cultivada, enquanto outra pode trabalhar numa área menor e conseguir retirar mais toneladas de cada hectare.

Gaza aparece em segundo lugar mesmo com uma área muito menor

Gaza apresenta talvez o resultado mais interessante dos dados do IAI 2023. A província registou apenas 1.321 hectares de cebola, mas uma produção estimada de 41.284 toneladas. Com esse volume, aparece como a segunda maior produtora do país.

A diferença em relação a Nampula é enorme quando observamos a área. Nampula tinha mais de 10 mil hectares, enquanto Gaza tinha pouco mais de 1.300 hectares.

Ao dividir a produção estimada pela área indicada no levantamento, Gaza apresenta uma relação superior a 30 toneladas por hectare. Contudo, esse resultado precisa ser interpretado com cuidado.

O próprio relatório do IAI explica que ainda existem desafios no aperfeiçoamento dos factores utilizados para converter as diferentes unidades de medida das hortícolas. Para as pequenas e médias explorações, a produção apresentada foi obtida através das estimativas das áreas recolhidas pelo levantamento, multiplicadas pelas produtividades provenientes dos trabalhos de monitoria realizados nas províncias.

Portanto, o número é uma referência estatística importante, mas não significa que todo agricultor de Gaza conseguirá automaticamente a mesma produtividade.

Tete é o terceiro maior produtor de cebola

Tete também ocupa uma posição importante. A província registou aproximadamente 4.553 hectares de cebola e produção estimada em 36.424 toneladas.

Isso coloca Tete como a terceira maior produtora entre as províncias apresentadas no levantamento.

A presença de Tete entre os primeiros lugares reforça uma característica interessante da cebola em Moçambique: a produção comercial não está concentrada numa única região do país.

Nampula está no norte, Tete no centro e Gaza no sul. Portanto, existem importantes zonas produtoras em diferentes partes do território nacional.

Essa distribuição pode ser uma vantagem para o abastecimento dos mercados. Ao mesmo tempo, cria desafios de transporte. Uma cebola produzida longe dos principais centros consumidores precisa suportar custos de embalagem, carregamento e transporte antes de chegar ao comprador.

Por isso, produzir perto de uma grande zona de consumo também pode representar uma vantagem comercial, mesmo quando essa região não lidera as estatísticas nacionais.

Manica e Zambézia também têm produção significativa

Depois de Nampula, Gaza e Tete aparece Manica, com aproximadamente 25.443 toneladas produzidas numa área de 2.827 hectares.

A seguir encontra-se Zambézia, com cerca de 21.654 toneladas em 2.406 hectares.

Esses volumes colocam as duas províncias entre as regiões que merecem atenção quando se analisa a cadeia nacional da cebola.

Depois aparecem Cabo Delgado, com 15.984 toneladas, Niassa, com 9.992 toneladas, Inhambane, com 7.542 toneladas, e Sofala, com 6.435 toneladas.

Maputo Província apresentou aproximadamente 3.267 toneladas no levantamento.

Portanto, a classificação pela produção estimada em 2023 começa com Nampula, Gaza, Tete, Manica e Zambézia. Juntas, essas cinco províncias representam a maior parte da produção nacional contabilizada pelo IAI.

Produzir mais cebola não significa necessariamente ganhar mais dinheiro

Existe uma diferença importante entre ser uma grande região produtora e oferecer as melhores condições económicas para cada agricultor.

Quanto maior for a concentração da colheita numa determinada época, maior poderá ser a quantidade de cebola procurando comprador ao mesmo tempo. Quando a oferta cresce rapidamente e os produtores não conseguem armazenar o produto, o preço pode sofrer pressão.

Por isso, um agricultor não deveria decidir plantar cebola apenas porque vive numa das maiores províncias produtoras.

É necessário estudar o mercado onde pretende vender.

Uma exploração relativamente pequena próxima de Maputo, Beira, Nampula ou outro centro consumidor pode ter vantagens logísticas. Já um produtor distante pode conseguir elevada produtividade, mas gastar mais para transportar a cebola.

O armazenamento também muda a situação. Quem consegue fazer correctamente a cura da cebola e conservar os bulbos por mais tempo pode ter maior liberdade para escolher o momento da comercialização. Quem não possui essas condições pode ser obrigado a vender rapidamente depois da colheita.

Nampula lidera, mas existe produção de norte a sul

Os dados do IAI 2023 deixam clara a liderança nacional: Nampula foi a maior produtora de cebola entre as pequenas e médias explorações, com 86.267 toneladas. Gaza ocupou a segunda posição, com 41.284 toneladas, seguida por Tete, com 36.424 toneladas, Manica, com 25.443 toneladas, e Zambézia, com 21.654 toneladas.

Esses números também revelam algo importante sobre a agricultura moçambicana. Não existe apenas uma grande região responsável pela cebola consumida no país. A cultura encontra espaço no norte, centro e sul.

Para o agricultor, porém, saber quem produz mais é apenas o início da análise. Água disponível, variedade adequada, produtividade, doenças, distância até aos compradores, capacidade de armazenamento e preço recebido na época da colheita continuam a determinar se a actividade será realmente rentável.

Assim, quando alguém perguntar “qual é o maior produtor de cebola em Moçambique?”, a resposta baseada no IAI 2023 é Nampula. Mas quando a pergunta passa a ser “onde vale mais a pena produzir?”, já não existe uma resposta única. Nesse caso, as condições da machamba e, principalmente, o acesso ao mercado tornam-se tão importantes quanto a posição da província no ranking nacional.