O sucesso financeiro e operacional de um projeto de avicultura de corte em Moçambique é decidido nos primeiros vinte dias de vida das aves. Neste período crítico, conhecido como a fase inicial, o pinto de um dia experimenta um crescimento exponencial e estabelece as bases estruturais para o ganho de peso futuro. O combustível essencial para governar essa transformação é a ração A1. Contudo, utilizar este insumo de alto valor biológico vai muito além de simplesmente encher os comedouros; exige o domínio técnico de fatores como pesagem, transição correta e adequação ambiental dentro do aviário.

Muitos produtores nas províncias de Maputo, Sofala ou Nampula acumulam prejuízos não porque compram ração de baixa qualidade, mas porque falham no maneio de distribuição e estocagem. Compreender a ciência por trás do uso correto da ração A1 é o método mais seguro para reduzir a conversão alimentar e garantir frangos pesados no momento do abate.

A função biológica e o consumo ideal da ração A1

A ração A1 é formulada especificamente para atender os pintos do primeiro ao décimo nono dia de vida. Nesta fase embrionária do desenvolvimento pós-eclosão, o sistema digestivo da ave ainda está a aprender a processar nutrientes complexos e o seu sistema imunitário encontra-se vulnerável. Por essa razão, a formulação da A1 — fornecida por marcas de referência no mercado moçambicano como a Higest, Bika+ ou Novofeed — possui altos níveis de proteína bruta (geralmente entre 21% e 22%), aminoácidos sintéticos essenciais e aditivos vitamínicos.

O objetivo principal deste alimento é estimular o crescimento das vilosidades intestinais. Quanto maior e mais saudável for o intestino do pinto nesta fase, maior será a sua capacidade de absorver os nutrientes da ração de engorda (A2) mais adiante.

O cálculo do volume correto a ser fornecido é o primeiro passo para evitar desperdícios financeiros. Tecnicamente, estima-se que cada pinto consuma uma média acumulada de 1,235 kg de ração A1 ao longo dos primeiros 19 dias. Para um pequeno lote padrão de 100 aves, o produtor precisará de aproximadamente 123,5 kg de ração, o que equivale a cerca de dois sacos e meio de 50 kg. Tentar estender o uso da A1 além desta meta pesará no orçamento desnecessariamente, enquanto retirá-la antes do tempo deixará as aves raquíticas.

Maneio de distribuição e altura dos comedouros

O pinto de um dia possui uma capacidade visual e de locomoção limitada. Por isso, nas primeiras 48 a 72 horas, a ração A1 nunca deve ser colocada diretamente nos comedouros tubulares definitivos. O uso correto exige a instalação de "comedouros infantis" ou o uso de bandejas de papelão limpas espalhadas sobre a cama do aviário (na proporção de uma bandeja para cada 50 pintos).

A ração deve ser fornecida em pequenas quantidades, várias vezes ao dia (entre 4 a 6 vezes). Este procedimento simples evita que o alimento fique velho, absorva a humidade das fezes das aves ou perca o aroma que atrai os pintos. O estímulo visual do tratador a despejar a ração fresca incentiva o consumo imediato.

À medida que as aves crescem, a partir do quarto dia, faz-se a migração gradual para os comedouros tubulares. Aqui reside um erro clássico: a regulação incorreta da altura. A borda do comedouro deve estar sempre nivelada com o peito do frango. Se o comedouro estiver muito baixo, os pintos vão usar as patas para ciscar e deitar a ração A1 para o chão, misturando-a com a serradura da cama. Considerando que o preço do saco de A1 ronda atualmente os 2.580 MZN, cada quilo ciscado para o chão representa dinheiro deitado diretamente no lixo.

A influência da temperatura e da água no consumo

Nenhum frango comerá a quantidade certa de ração A1 se o ambiente do aviário estiver desconfortável. O consumo de alimento está diretamente interligado com a temperatura interna do pavilhão e com a qualidade da água disponível.

Nas duas primeiras semanas, o pinto não consegue regular a sua própria temperatura corporal. Se o aviário estiver frio (abaixo dos 32°C nos primeiros dias), os pintos vão agrupar-se num canto para se aquecerem mútua e desesperadamente, deixando de caminhar até às bandejas de comida. Por outro lado, se a temperatura estiver excessivamente alta devido ao calor do verão moçambicano, as aves vão manifestar estresse térmico: começam a arquejar, bebem muita água e reduzem drasticamente a ingestão de ração, atrasando todo o ciclo de crescimento.

Além disso, existe uma regra de ouro na avicultura: o consumo de água dita o consumo de ração. Um pinto bebe o dobro do peso daquilo que consome em comida. Se a água dos bebedouros estiver quente, suja ou com forte odor a cloro, a ave deixará de beber e, por consequência direta, parará de comer a ração A1. É imperativo limpar os bebedouros diariamente e garantir água fresca e fresca.

A transição suave para a ração A2

O ciclo da ração A1 encerra-se estritamente no 19º dia. No vigésimo dia, o trato gastrointestinal da ave já mudou e as suas necessidades biológicas passam a ser focadas na engorda e acumulação de tecido muscular, altura em que deve entrar a ração A2.

Contudo, essa troca nunca deve ser feita de forma abrupta de um dia para o outro. Mudar o formato do granulado (a A1 é microgranulada e a A2 vem em pellets maiores) de forma repentina causa um estresse digestivo severo nos frangos, resultando em diarreias que limpam a flora intestinal e fazem a ave perder peso.

A transição correta deve durar entre 48 a 72 horas, aplicando-se a seguinte metodologia prática de mistura nos comedouros:

  • Dia 18 (Preparação): 75% de ração A1 misturada com 25% de ração A2.

  • Dia 19 (Transição): 50% de ração A1 misturada com 50% de ração A2.

  • Dia 20 (Finalização): 25% de ração A1 misturada com 75% de ração A2.

  • Dia 21 em diante: 100% de ração A2.

Seguir este cronograma permite que as aves se habituem ao novo tamanho do grão e adaptem a produção de enzimas digestivas sem paragens no ganho de peso diário. O manejo criterioso da ração A1 é o investimento técnico que separa os avicultores amadores dos profissionais altamente lucrativos na AgroMoz.