O sucesso na fase final de um lote de frangos de corte em Moçambique depende diretamente de como o produtor faz a transição para a fase de engorda. Se a ração A1 constrói a estrutura e o sistema imunitário do pinto, a ração A2 é o combustível responsável por colocar carne no peito, peso nas coxas e garantir que as aves atinjam o ponto de abate no tempo previsto.

No entanto, mudar o alimento de forma errada ou no momento inadequado pode deitar a perder todo o ganho de peso conseguido nas primeiras semanas. Compreender o momento exato de introduzir a ração A2 e as melhores práticas de maneio é essencial para proteger o investimento feito na sua machamba ou aviário.

Quando começar a usar a ração A2?

A regra de ouro da avicultura moderna aponta que o ciclo da ração A1 (inicial) encerra-se no 19º dia de vida da ave. Portanto, o momento ideal para começar a introduzir a ração A2 é no 20º dia.

Nesta idade, o trato gastrointestinal do frango já está totalmente desenvolvido e as suas necessidades biológicas mudam drasticamente. A ave deixa de priorizar o crescimento dos órgãos internos e foca toda a sua energia na síntese de tecido muscular. Forçar o frango a continuar a comer a ração A1 após o 19º dia, além de ser um desperdício financeiro (já que a A1 é mais cara), não trará o ganho de peso esperado, porque a fórmula inicial não possui o equilíbrio de energia necessário para esta nova fase de engorda.

A biologia da ração A2 e o consumo estimado

A ração A2 fornecida no mercado nacional por marcas como Higest, Bika+, Companhia da Zambézia ou Novofeed possui uma concentração de proteína ligeiramente menor que a A1 (cerca de 19% a 20%), mas é significativamente mais rica em energia metabolizável, vinda de cereais de alta qualidade como o milho.

Geralmente, ela é apresentada na forma de pellets (granulados prensados) ou triturada grossa. O formato em pellets é estratégico: permite que o frango morda e engula uma quantidade maior de alimento de uma só vez, gastando menos energia no processo de alimentação.

Em termos de consumo, esta é a fase mais dispendiosa do projeto. Enquanto o pinto consome pouco mais de 1,2 kg de A1 em 19 dias, na fase da ração A2 o consumo dispara. Estima-se que cada ave vá ingerir entre 1,8 kg e 2,5 kg de ração A2 do 20º dia até ao momento do abate (que costuma ocorrer entre o 35º e o 42º dia, dependendo do peso final desejado). Para um lote de 100 frangos, isso representa a necessidade de 4 a 5 sacos de 50 kg de ração A2.

Como fazer a transição correta (Sem choque digestivo)

Um dos erros mais comuns em Moçambique é retirar a ração A1 do comedouro na noite do 19º dia e deitar a ração A2 pura na manhã do 20º dia. Essa mudança abrupta de textura (de microgranulado para pellets) e de fórmula causa um estresse digestivo severo. O intestino da ave não consegue adaptar a produção de enzimas rapidamente, resultando em diarreias líquidas que fazem o frango perder peso e desidratar.

Para evitar este cenário, a transição deve ser feita de forma gradual ao longo de três dias, misturando os dois alimentos no próprio comedouro:

Essa mistura dá tempo para que a flora intestinal do frango se adapte ao novo alimento e garante que as aves não parem de comer por estranharem o tamanho do novo grão.

Boas práticas no uso da ração A2 para evitar desperdícios

Como o volume de consumo na fase A2 é muito alto, qualquer descuido pode arruinar a margem de lucro. Siga estas recomendações práticas para otimizar o uso do alimento:

  • Ajuste constante dos comedouros: Os frangos crescem muito rápido nesta fase. A borda dos comedouros tubulares deve estar sempre alinhada com a altura do dorso (costas) das aves. Se o comedouro ficar baixo, os frangos deitam a ração para fora com o peito ou com as patas, misturando-a com a cama.

  • Controle rigoroso da temperatura: Frangos adultos sofrem muito com o calor (estresse térmico), comum nas províncias costeiras e durante o verão moçambicano. Se o aviário passar dos 30°C, as aves param de comer a ração A2 e passam o tempo todo a beber água para se refrescarem, atrasando o peso de abate. Garanta boa ventilação e água sempre fresca.

  • Espaço de comedouro suficiente: Aves maiores ocupam mais espaço. Certifique-se de que há comedouros suficientes (geralmente 1 tubular para cada 80 a 100 aves adultas) para evitar brigas. Se houver disputa, os frangos mais fracos não vão comer a quantidade necessária de A2 e o lote ficará totalmente desigual no dia da venda.

Ao respeitar o tempo de viragem do ciclo e aplicar a técnica de mistura gradual, o avicultor garante que o investimento na ração A2 se converta em frangos pesados, saudáveis e prontos para o mercado em tempo recorde, maximizando a rentabilidade do negócio na AgroMoz.