Uma plantação de tomate pode parecer saudável numa semana e, poucos dias depois, apresentar folhas cobertas por manchas, plantas enfraquecidas e frutos atacados. Entre as doenças capazes de avançar rapidamente no tomateiro está a requeima, também conhecida como míldio tardio, causada pelo oomiceto Phytophthora infestans. Quando encontra humidade elevada e temperaturas favoráveis, a doença pode espalhar-se rapidamente e provocar perdas graves se o produtor não agir a tempo.
Para quem produz tomate em Moçambique, o perigo aumenta principalmente quando há períodos de chuva, noites húmidas, orvalho frequente ou pouca circulação de ar entre as plantas. O problema é que os primeiros sintomas podem parecer pequenos e levar o agricultor a acreditar que se trata apenas de folhas envelhecidas ou de uma deficiência nutricional.
Esperar vários dias para descobrir o que está a acontecer pode permitir que a doença avance para outras plantas.
As primeiras manchas nas folhas não devem ser ignoradas
A requeima costuma manifestar-se inicialmente através de manchas nas folhas. Elas podem começar com aparência húmida e desenvolver áreas castanhas ou escuras à medida que o tecido morre.
Em condições de elevada humidade, pode surgir uma formação esbranquiçada principalmente na parte inferior das folhas, próxima das áreas atacadas. Esse é um sinal que merece atenção.
Com o avanço da doença, as manchas aumentam e partes maiores das folhas ficam castanhas. Os pecíolos e caules também podem desenvolver lesões escuras.
É justamente a velocidade dessa progressão que torna a requeima perigosa.
Uma folha atacada numa zona húmida da machamba pode tornar-se uma fonte de inóculo para outras plantas. Quando existem água sobre as folhas, humidade elevada e condições adequadas, a disseminação pode ser favorecida.
Por isso, o agricultor não deve esperar que metade da plantação esteja doente para começar a investigar.
O fruto do tomate também pode ser atacado

O prejuízo não fica limitado às folhas.
A requeima também pode atingir os tomates, formando lesões castanhas, firmes e irregulares. Em situações de ataque forte, frutos que aparentemente estavam próximos da colheita podem perder qualidade comercial.
Isso representa um problema especialmente sério para produtores que cultivam tomate para vender.
Depois de semanas de despesas com sementes, preparação do terreno, fertilização, rega, mão de obra e controlo de pragas, perder frutos perto da colheita significa perder grande parte do investimento justamente quando deveria começar o retorno financeiro.
Além disso, frutos e tecidos vegetais atacados não devem ser deixados espalhados pela área sem qualquer manejo. O material doente pode contribuir para manter problemas sanitários na produção.
Chuva e folhas molhadas criam condições perigosas
A presença do agente causador, de uma planta suscetível e de condições ambientais favoráveis é determinante para o aparecimento e avanço de doenças.
No caso da requeima, períodos de elevada humidade e temperaturas relativamente amenas favorecem o problema. Por isso, o produtor precisa aumentar a vigilância quando há vários dias com condições húmidas.
A forma de regar também merece atenção.
Quando possível, é preferível fornecer água diretamente ao solo, reduzindo o molhamento prolongado das folhas. Sistemas que deixam constantemente a folhagem molhada podem criar um ambiente mais favorável a diversas doenças.
O horário da rega também importa. Molhar excessivamente as folhas no final do dia pode fazer com que permaneçam húmidas durante grande parte da noite.
Além disso, tomateiros plantados muito próximos podem formar uma massa de folhas tão fechada que o interior da cultura demora mais tempo para secar.
É por isso que um espaçamento adequado não serve apenas para facilitar a passagem do agricultor. Ele também ajuda na ventilação da cultura.
Encontrou uma planta suspeita? Não espere vários dias
O primeiro passo é observar cuidadosamente a plantação inteira.
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Galinha koekoekProcure sintomas semelhantes nas plantas próximas e verifique tanto a parte superior como a inferior das folhas. Caules e frutos também precisam ser examinados.
Folhas e plantas severamente atacadas podem precisar de ser removidas da área, dependendo da extensão e da confirmação do problema. As ferramentas utilizadas durante esse trabalho também devem ser higienizadas para evitar transportar agentes causadores de doenças entre diferentes partes da produção.
No entanto, existe outro cuidado fundamental: não aplicar qualquer fungicida simplesmente porque apareceram manchas no tomateiro.
Tomate pode sofrer de várias doenças com sintomas parcialmente semelhantes. Pinta-preta, manchas bacterianas, requeima e determinados problemas nutricionais podem ser confundidos por quem observa apenas uma fotografia ou uma única folha.
Uma identificação errada pode fazer o agricultor gastar dinheiro num produto que não resolverá o problema.
Fungicida pode ajudar, mas precisa ser utilizado corretamente
O controlo químico pode fazer parte do manejo da requeima, principalmente de forma preventiva ou quando utilizado dentro de uma estratégia adequada. Porém, o produtor deve usar apenas produtos registados e autorizados para a cultura e para o problema em questão, seguindo rigorosamente o rótulo.
A dose não deve ser aumentada na tentativa de “matar a doença mais rápido”.
Usar uma concentração superior à recomendada pode provocar danos, aumentar custos, deixar resíduos inadequados e representar riscos para o aplicador e para o ambiente.
Também é necessário respeitar o intervalo de segurança entre a última aplicação e a colheita. Este cuidado é particularmente importante no tomate porque muitos frutos seguem diretamente para os mercados e para o consumo das famílias.
Outro problema é repetir continuamente produtos com o mesmo modo de ação. O uso inadequado pode favorecer populações do agente patogénico resistentes, tornando determinados fungicidas menos eficazes ao longo do tempo.
Por isso, quando houver necessidade de controlo químico, a orientação de um técnico agrícola e as instruções oficiais do produto são referências importantes.
A prevenção começa antes de aparecer a primeira folha doente

Esperar a doença chegar para começar o manejo é uma estratégia arriscada.
A prevenção começa na escolha de mudas saudáveis, na preparação adequada da área e na organização do espaçamento. Durante o crescimento, o agricultor deve observar frequentemente as plantas, principalmente depois de períodos de chuva ou elevada humidade.
O controlo das infestantes também ajuda. Uma machamba tomada por vegetação dificulta a circulação de ar e torna a inspeção das plantas mais complicada.
A nutrição precisa igualmente ser equilibrada. Exagerar em determinados fertilizantes não transforma o tomateiro numa planta imune às doenças. O objetivo deve ser manter um desenvolvimento saudável, de acordo com as necessidades da cultura e do solo.
Também é importante considerar a rotação de culturas e evitar manter continuamente plantas hospedeiras suscetíveis na mesma área sem planeamento sanitário.
Nenhuma dessas medidas, isoladamente, garante proteção total. Juntas, entretanto, diminuem as condições favoráveis ao desenvolvimento de problemas graves.
Uma pequena mancha hoje pode significar um grande prejuízo depois
A grande lição para quem produz tomate não é entrar em pânico sempre que encontra uma folha manchada. É aprender a observar a machamba cedo.
Doenças como a requeima tornam-se muito mais difíceis de enfrentar depois de estarem espalhadas por grande parte da plantação. Quanto mais cedo o produtor identifica corretamente o problema, maiores são as possibilidades de proteger as plantas ainda saudáveis e reduzir as perdas.
Depois de períodos húmidos, faça uma inspeção. Olhe por baixo das folhas, observe os caules e não se esqueça dos frutos. Se encontrar manchas suspeitas espalhando-se rapidamente, procure identificar a causa antes de aplicar produtos.
Na produção de tomate, alguns dias podem fazer uma enorme diferença. A planta que apresenta os primeiros sintomas hoje pode ser o aviso que permite salvar o restante da machamba amanhã.