Para alimentar galinhas, uma ração completa e adequada à idade e ao objetivo da criação é geralmente melhor do que oferecer apenas milho. O milho é um alimento importante e pode fazer parte da dieta das aves, mas sozinho não fornece todos os nutrientes de que uma galinha precisa para crescer, produzir ovos ou ganhar peso de forma equilibrada. Esta diferença é particularmente importante em Moçambique, onde muitas famílias utilizam milho disponível na machamba para alimentar as galinhas e procuram maneiras de reduzir o custo da criação.
Isso não significa que o milho seja mau para as aves. Pelo contrário, é uma excelente fonte de energia e está presente na formulação de muitas rações. O problema começa quando passa de ingrediente para alimento praticamente exclusivo.
Uma galinha precisa de energia, proteína, aminoácidos, minerais, vitaminas e outros nutrientes em proporções adequadas. Uma ração completa procura fornecer esse equilíbrio. Portanto, para decidir entre milho e ração, primeiro precisamos entender o objetivo da criação.
Por que as galinhas gostam tanto de milho?
Quem cria galinhas no quintal conhece bem a cena. Basta espalhar milho no chão e rapidamente as aves aproximam-se para comer.
O milho fornece principalmente energia através do seu elevado conteúdo de amido. Essa energia é necessária para a galinha andar, manter as funções do organismo, crescer e produzir.
Também é um produto relativamente familiar para muitas famílias moçambicanas. Em zonas produtoras, o agricultor pode colher milho na própria machamba e reservar uma parte para alimentação dos animais.
É justamente aqui que surge a impressão de que alimentar apenas com milho é suficiente.
A galinha come com vontade, enche o papo e aparentemente fica satisfeita. Mas estar com o papo cheio não significa ter recebido todos os nutrientes necessários.
Podemos comparar com uma pessoa que come sempre o mesmo alimento. Ela pode consumir calorias suficientes e ainda assim apresentar falta de determinados nutrientes.
Com a galinha acontece algo semelhante.
O que falta quando a galinha come apenas milho?
O milho não oferece um equilíbrio nutricional completo para atender sozinho às necessidades das galinhas.
Um dos principais problemas está na proteína e, particularmente, no equilíbrio dos aminoácidos essenciais. As aves precisam desses componentes para formar músculos, penas, órgãos e, no caso das poedeiras, manter uma boa produção de ovos.
Também existem necessidades específicas de minerais e vitaminas.
Uma galinha poedeira, por exemplo, necessita de uma quantidade adequada de cálcio para formar a casca dos ovos. Alimentar essa ave principalmente com milho não consegue atender corretamente essa necessidade.
O resultado pode aparecer através de menor produção, ovos com problemas de casca, crescimento abaixo do esperado ou pior aproveitamento do potencial genético das aves.
Isso não significa que todos os problemas observados numa galinha alimentada com milho sejam causados exclusivamente pela dieta. Doenças, parasitas, temperatura, água e condições da capoeira também influenciam a produção.
Porém, alimentação desequilibrada é um fator que não pode ser ignorado.
Por que a ração é mais completa?
Uma boa ração não é simplesmente milho moído colocado num saco.
Ela é formulada combinando diferentes ingredientes para fornecer os nutrientes de que as aves necessitam em determinada fase da criação.
Uma ração para pintainhos, por exemplo, apresenta características diferentes de uma ração destinada a galinhas poedeiras. Da mesma forma, frangos de corte possuem exigências nutricionais específicas durante o crescimento.
Essa diferença é fundamental.
Não basta entrar numa loja e comprar qualquer saco que tenha a palavra “ração”. O criador precisa verificar para que tipo de ave e fase aquele produto foi formulado.
Uma galinha que está a produzir ovos possui necessidades diferentes das de um pintainho com poucas semanas de vida.
Quando a ração é corretamente formulada, produzida e armazenada, oferece ao criador uma maneira muito mais previsível de fornecer nutrientes às aves.
Para galinha poedeira, milho ou ração?
Se o objetivo é produzir ovos regularmente, uma ração completa para poedeiras é a escolha mais adequada como base da alimentação.
Produzir um ovo exige bastante do organismo da galinha.
Além da energia necessária para manutenção, a ave precisa de proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais. O cálcio assume particular importância porque grande parte da casca é formada por minerais.
Uma galinha que recebe principalmente milho pode continuar a pôr ovos, principalmente se tiver acesso a outros alimentos enquanto anda pelo quintal. Isso, entretanto, não prova que o milho seja uma dieta completa.
A ave pode estar a encontrar insetos, plantas, sementes e outras fontes alimentares fora do comedouro.
Em sistemas onde as galinhas permanecem confinadas, a dependência de uma alimentação equilibrada torna-se ainda mais evidente porque elas não conseguem procurar tantos alimentos por conta própria.
E para frangos de corte?
Para quem cria frangos com objetivo de produzir carne rapidamente, alimentar apenas com milho tende a ser ainda menos interessante.
As linhagens comerciais de frangos de corte foram selecionadas para crescer rapidamente quando recebem alimentação e manejo adequados.
Para formar tecido corporal nesse ritmo, precisam de uma dieta equilibrada.
Se o produtor oferece quase exclusivamente milho, pode fornecer bastante energia sem disponibilizar na proporção adequada todos os componentes necessários ao crescimento.
O frango pode demorar mais para alcançar o peso pretendido. Quanto mais tempo permanece na criação, mais dias o produtor precisa fornecer alimentação, água, espaço e cuidados.
Por isso, olhar apenas para o preço do milho por quilograma pode dar uma ideia errada da economia.
Na produção comercial, precisamos pensar também no custo necessário para produzir cada quilograma de frango.
Posso misturar milho com ração?
É aqui que muitos criadores precisam ter cuidado.
Se compramos uma ração comercial completa e depois acrescentamos uma grande quantidade de milho para “fazer render”, estamos a alterar a concentração de nutrientes que o fabricante formulou.
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Quanto custa um pulverizador agrícola em Moçambique?Imagine que determinada quantidade de ração foi preparada para fornecer uma proporção específica de proteína, vitaminas e minerais. Quando adicionamos muito milho, aumentamos principalmente a energia e diluímos outros nutrientes por quantidade de alimento consumido.
A mistura pode ficar mais barata por saco, mas nutricionalmente deixa de ser aquilo que estava previsto.
Isso não significa que o milho nunca possa fazer parte de uma dieta formulada. Ele pode e frequentemente faz.
A diferença é que uma formulação correta calcula quanto milho, fonte proteica, minerais e outros ingredientes devem entrar na mistura para atender às necessidades das aves.
Simplesmente juntar metade de milho e metade de uma ração completa sem qualquer cálculo não é a mesma coisa que formular ração.
Milho inteiro ou milho moído?
A forma de fornecer milho depende da idade das aves e do sistema de criação.
Galinhas adultas conseguem consumir grãos de milho, embora o tamanho e a dureza possam influenciar o consumo. O milho também pode ser quebrado ou moído para utilização em formulações.
Para pintainhos, partículas muito grandes são inadequadas.
Entretanto, a discussão sobre milho inteiro ou moído não resolve o principal problema: independentemente da forma física, milho continua não sendo uma dieta completa quando utilizado sozinho.
Moer o grão facilita determinados usos, mas não cria os nutrientes que estavam em falta.
O criador deve preocupar-se primeiro com o equilíbrio da alimentação e depois com a apresentação física mais adequada para a idade da ave.
E as galinhas criadas soltas no quintal?
Na realidade moçambicana, muitas galinhas não vivem permanentemente fechadas.
Saem de manhã, ciscam pelo quintal, procuram insetos, sementes, restos vegetais e outros alimentos. No final do dia, recebem milho ou restos disponíveis em casa.
Esse sistema tradicional consegue manter muitas aves, mas os resultados são diferentes daqueles esperados numa produção comercial intensiva.
A quantidade e qualidade do alimento encontrado no quintal também muda ao longo do ano.
Na época das chuvas pode existir maior disponibilidade de determinados insetos e vegetação. Durante outros períodos, a oferta pode diminuir.
Por isso, não devemos assumir que uma galinha solta consegue sempre completar perfeitamente aquilo que falta no milho.
Quando o objetivo é aumentar a produção de ovos, melhorar crescimento ou criar aves para venda de forma mais previsível, a alimentação precisa receber maior atenção.
Ração é cara: milho pode ajudar a reduzir o custo?
A alimentação representa uma parte importante das despesas na criação de galinhas, e essa realidade pesa bastante para pequenos produtores moçambicanos.
Quando o milho está disponível na própria machamba, existe naturalmente interesse em utilizá-lo.
A melhor solução não é necessariamente abandonar o milho, mas aprender a utilizá-lo corretamente numa alimentação formulada.
Um produtor que deseja fabricar a própria ração precisa conhecer as necessidades nutricionais das aves e ter acesso aos outros ingredientes necessários. Fontes de proteína, minerais, vitaminas e aminoácidos precisam ser consideradas.
Também é importante calcular o custo real.
Às vezes uma mistura caseira parece barata porque o produtor não atribui valor ao milho que retirou da própria machamba. Mas aquele milho poderia ser vendido ou utilizado pela família, portanto possui valor económico.
Uma ração caseira só representa vantagem quando consegue fornecer nutrição adequada com custo competitivo e ingredientes de qualidade.
Água também faz parte da alimentação
Podemos discutir durante horas se milho ou ração é melhor e esquecer algo que a galinha consome todos os dias: água.
As aves precisam de acesso regular a água limpa.
Uma galinha pode receber excelente ração e ainda apresentar baixo desempenho se passar muitas horas sem água, principalmente durante períodos quentes.
Em várias regiões de Moçambique, as temperaturas elevadas aumentam a importância desse cuidado.
Bebedouros devem ser mantidos limpos e posicionados de maneira a reduzir contaminação. Água muito suja pode transformar-se numa fonte de problemas para todo o lote.
Portanto, melhorar a alimentação sem melhorar o fornecimento de água é fazer apenas metade do trabalho.
Afinal, o que é melhor: milho ou ração?
Se tivermos de escolher entre oferecer somente milho ou fornecer uma ração completa apropriada à fase da galinha, a ração é nutricionalmente a melhor escolha.
O milho continua sendo um ingrediente valioso. Fornece energia, pode ser produzido localmente e faz parte da alimentação de aves em muitas famílias moçambicanas. O erro está em acreditar que ele sozinho consegue substituir uma dieta equilibrada.
Para galinhas poedeiras, uma alimentação adequada ajuda a sustentar a produção e fornecer nutrientes necessários para formação dos ovos. Para frangos de corte, contribui para que as aves expressem melhor o seu potencial de crescimento. Para pintainhos, fornece nutrientes importantes numa fase em que o desenvolvimento é rápido.
Na nossa realidade, onde reduzir custos é uma preocupação diária, o caminho não precisa ser escolher entre “milho ou ração” como se um deles tivesse de desaparecer.
O melhor é compreender a função de cada um.
Milho é principalmente uma fonte de energia. Ração completa é uma combinação formulada para fornecer energia e outros nutrientes necessários às aves.
Se o produtor quiser utilizar o milho da própria machamba para reduzir despesas, pode procurar orientação para formular uma alimentação equilibrada em vez de simplesmente substituir grande parte da ração por milho.
No final, a alimentação mais barata não é necessariamente aquela que custa menos no dia da compra. É aquela que permite manter aves saudáveis e alcançar o objetivo da criação sem desperdiçar meses de trabalho e alimento.