O melhor adubo para milho depende principalmente da fertilidade do solo e da fase em que a planta se encontra. Em Moçambique, uma estratégia comum é usar um adubo NPK no plantio, como o NPK 12-24-12, e fazer posteriormente a adubação de cobertura com uma fonte de nitrogénio, como a ureia. No entanto, não existe uma fórmula única que seja a melhor para todas as machambas. O tipo de solo, a quantidade de matéria orgânica, as chuvas e o histórico da área podem mudar bastante a necessidade de adubação.

Um dos erros mais comuns é pensar que basta colocar bastante adubo para colher mais milho. Na prática, uma adubação mal feita pode aumentar os custos sem trazer o aumento esperado na produção. O milho precisa encontrar os nutrientes certos no momento em que mais necessita deles. Por isso, é importante distinguir a adubação feita durante a sementeira daquela realizada algumas semanas depois, quando as plantas já estão em crescimento.

No plantio, o milho precisa principalmente de um bom arranque

As primeiras semanas são decisivas para o desenvolvimento do milho. Depois da germinação, a planta começa a formar as raízes que irão buscar água e nutrientes no solo durante praticamente todo o ciclo. Se encontrar um solo muito pobre nesta fase, pode apresentar crescimento lento e perder parte do seu potencial produtivo.

É por isso que fertilizantes NPK são frequentemente utilizados na sementeira. Uma formulação como NPK 12-24-12 fornece nitrogénio, fósforo e potássio, com maior proporção de fósforo.

O fósforo merece atenção no início porque está relacionado com o desenvolvimento das raízes e com vários processos importantes da planta. Além disso, ao contrário de nutrientes que se movimentam com maior facilidade no solo, o fósforo tem baixa mobilidade. Isso significa que a localização do fertilizante próximo da região onde as raízes irão crescer pode fazer diferença.

Mas próximo não significa colocar o fertilizante diretamente sobre a semente.

Quando um adubo mineral concentrado fica em contacto direto com a semente ou muito próximo das raízes novas, existe risco de prejudicar a germinação ou provocar danos. Uma prática usada no campo é colocar o fertilizante alguns centímetros ao lado e abaixo da semente, evitando o contacto direto.

A quantidade, entretanto, não deve ser decidida apenas olhando para o tamanho da machamba. Uma análise do solo é a melhor referência para determinar quanto fósforo, potássio e outros nutrientes realmente precisam de ser adicionados.

Esterco também pode ajudar na produção de milho

Para produtores que têm acesso a esterco de galinha, bovino ou outros materiais orgânicos, a matéria orgânica pode ser uma importante aliada.

Um solo não precisa apenas de nutrientes. Ele também precisa ter boas condições para armazenar água, permitir a circulação de ar e favorecer o crescimento das raízes. A matéria orgânica pode contribuir para melhorar essas características e, ao mesmo tempo, fornecer nutrientes gradualmente.

O cuidado está na forma como o esterco é utilizado.

Esterco fresco, principalmente o de galinha, não deve simplesmente ser despejado em grande quantidade junto das sementes. O mais seguro é utilizar material devidamente curtido ou compostado e incorporá-lo ao solo antes da sementeira.

Também não se deve assumir que o esterco substituirá sempre todos os fertilizantes minerais. Dependendo da fertilidade da machamba e da produtividade pretendida, pode ser necessário combinar fontes orgânicas e minerais.

Essa combinação pode ser particularmente interessante para pequenos produtores que procuram melhorar gradualmente a fertilidade da terra sem depender exclusivamente de fertilizantes comprados em todas as campanhas.

Depois que o milho cresce, aumenta a necessidade de nitrogénio

Uma planta de milho pequena não consome nutrientes na mesma quantidade que uma planta em rápido crescimento. Conforme surgem novas folhas e aumenta o tamanho da planta, a necessidade de nitrogénio torna-se muito importante.

É aqui que entra a chamada adubação de cobertura.

Em vez de colocar todo o nitrogénio durante a sementeira, parte pode ser fornecida posteriormente. A ureia é uma das fontes utilizadas para esse objetivo porque apresenta elevada concentração de nitrogénio.

Quando o milho está aproximadamente entre quatro e seis folhas desenvolvidas, a cultura já está numa fase de crescimento rápido. Uma deficiência de nitrogénio nesse período pode limitar o desenvolvimento das plantas.

Um dos sinais que podem aparecer numa lavoura com falta desse nutriente é o amarelecimento das folhas mais velhas, muitas vezes começando pela ponta e avançando pela região central da folha. Entretanto, observar folhas amarelas não substitui uma avaliação adequada, porque problemas de água, raízes, doenças ou outros nutrientes também podem alterar a aparência da planta.

O maior erro com ureia pode acontecer depois de colocá-la no chão

O maior erro com ureia pode acontecer depois de colocá-la no chão

Comprar ureia não garante que todo o nitrogénio existente no saco será aproveitado pelo milho.

A forma e o momento da aplicação fazem enorme diferença.

Quando a ureia permanece sobre a superfície de um solo quente e seco durante muito tempo, parte do nitrogénio pode ser perdida por volatilização. Em outras palavras, o produtor paga pelo fertilizante, espalha-o na machamba e uma parte pode não chegar à planta.

Por isso, quando a cultura é produzida em sequeiro, é importante acompanhar as condições de humidade e a previsão de chuva. A incorporação da ureia pela água reduz o tempo em que ela permanece exposta na superfície.

Isso não significa, porém, que seja boa ideia aplicar fertilizante antes de uma chuva extremamente forte. Chuvas intensas também podem favorecer perdas de nutrientes, dependendo do solo, relevo e condições da machamba.

O produtor precisa procurar uma situação em que exista humidade suficiente para o fertilizante entrar no solo e ficar disponível às raízes.

A ureia também não deve ser acumulada junto ao caule do milho. É preferível fazer a aplicação lateralmente, mantendo alguma distância da planta.

Em solos arenosos, dividir a adubação pode ser vantajoso

Este cuidado merece atenção especial em partes de Moçambique onde predominam solos mais arenosos.

Solos arenosos geralmente têm menor capacidade de reter água e determinados nutrientes do que solos com maior teor de argila e matéria orgânica. Durante períodos de chuva, o nitrogénio pode deslocar-se para camadas mais profundas do solo, reduzindo o seu aproveitamento pela cultura.

Uma solução é fracionar a aplicação de nitrogénio.

Em vez de fornecer toda a quantidade prevista numa única aplicação, ela pode ser distribuída em mais de um momento do crescimento. Dessa maneira, o milho recebe nitrogénio em períodos diferentes e diminui-se o risco de perder uma grande quantidade de fertilizante de uma só vez.

O momento exato e as doses precisam considerar o solo, a variedade cultivada, a população de plantas, a disponibilidade de água e a produtividade que o agricultor pretende alcançar.

É justamente por isso que recomendações como “coloque uma tampa de adubo em cada planta” devem ser vistas com cuidado. Tampas, punhados e outras medidas improvisadas variam muito e podem resultar tanto em falta como em excesso de fertilizante.

Afinal, NPK ou ureia: qual é melhor para milho?

Não é necessário escolher simplesmente entre um e outro porque NPK e ureia podem cumprir funções diferentes dentro do manejo da cultura.

No plantio, um NPK adequado às condições do solo pode fornecer fósforo e outros nutrientes importantes para o estabelecimento inicial. Mais tarde, uma fonte rica em nitrogénio, como a ureia, pode ajudar a acompanhar o rápido crescimento da cultura.

Assim, em muitas situações, a pergunta mais útil não é “qual é o melhor adubo?”, mas “qual adubo o milho precisa nesta fase e quanto o meu solo já consegue fornecer?”

Uma machamba que recebeu esterco durante vários anos não tem necessariamente a mesma necessidade de uma área continuamente cultivada sem reposição adequada de nutrientes. Da mesma maneira, um solo arenoso do sul do país pode exigir um manejo diferente de determinados solos encontrados no centro ou norte.

Quando possível, fazer uma análise do solo antes da campanha permite tomar decisões muito melhores. O dinheiro utilizado numa análise pode evitar a compra desnecessária de fertilizantes e mostrar deficiências que dificilmente seriam identificadas apenas olhando para a terra.

Para quem não consegue fazer análise, conhecer o histórico da machamba, observar o desenvolvimento das culturas anteriores e procurar orientação técnica local já é melhor do que aplicar fertilizantes sem qualquer critério.

Mais adubo não significa automaticamente mais milho

A adubação funciona melhor quando está acompanhada de outras boas práticas. Não adianta investir muito dinheiro em NPK e ureia se a machamba tiver baixa população de plantas, infestantes competindo com o milho, sementes inadequadas, falta de água ou problemas graves de pragas e doenças.

Também existe um limite para a resposta da planta aos nutrientes. Depois de determinada quantidade, adicionar mais fertilizante pode deixar de produzir retorno económico e até prejudicar a cultura ou o ambiente.

Para o produtor moçambicano, portanto, o melhor programa de adubação do milho é aquele que combina a necessidade da planta, as condições do solo e a disponibilidade de água. O NPK pode ter um papel importante no arranque da cultura, enquanto a ureia pode fornecer o nitrogénio necessário durante o crescimento. Esterco bem curtido e outras fontes de matéria orgânica também podem contribuir para melhorar a fertilidade do solo ao longo do tempo.

Mais importante do que procurar um único “adubo milagroso” é acertar o momento, a quantidade e a forma de aplicação. É aí que uma parte considerável do dinheiro gasto em fertilizantes pode transformar-se realmente em plantas mais vigorosas e, no final da campanha, em mais milho por hectare.