As galinhas estão entre os animais mais presentes nas explorações familiares de Moçambique. São criadas nos quintais das casas, nas pequenas machambas e também em explorações comerciais que produzem milhares de frangos ou ovos por ciclo. Essa presença não acontece por acaso. Comparada com animais de maior porte, a galinha exige relativamente pouco espaço, pode começar a gerar rendimento num período curto e fornece dois alimentos importantes: carne e ovos.
Dados do Censo Agro-Pecuário 2023/2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, ajudam a mostrar a dimensão dessa criação. O país possui aproximadamente 16 milhões de galinhas de raça local. Isso coloca a criação tradicional de galinhas numa posição importante dentro da pecuária moçambicana, principalmente para famílias rurais.
Ao mesmo tempo, existe outra realidade: a avicultura comercial. Nela encontramos frangos de corte produzidos para carne, galinhas poedeiras destinadas à produção de ovos, reprodutoras, incubadoras, produtores de pintos, fábricas e vendedores de ração, medicamentos veterinários e equipamentos. Assim, falar de galinhas em Moçambique significa falar tanto da pequena criação familiar como de uma cadeia económica cada vez mais estruturada.
A galinha local continua muito presente em Moçambique

Quem percorre zonas rurais do país facilmente encontra galinhas criadas num sistema tradicional. Durante parte do dia, as aves procuram insectos, sementes, restos de alimentos e outros materiais disponíveis ao redor da casa. O produtor pode complementar essa alimentação com milho ou outros produtos existentes na exploração.
Esse sistema apresenta uma grande vantagem: permite começar com poucos recursos. Uma família pode possuir algumas galinhas e aumentar gradualmente o efectivo através da reprodução natural.
A galinha local também possui importância social e económica que ultrapassa a simples produção comercial. Pode fornecer carne para consumo familiar, produzir ovos, gerar pintos e transformar-se rapidamente em dinheiro quando surge uma necessidade.
Isso ajuda a explicar por que as galinhas permanecem tão numerosas no país.
Entretanto, criação tradicional não significa criação sem cuidados. Quando muitas aves são mantidas sem vacinação, abrigo adequado, água limpa e alimentação complementar, a mortalidade pode eliminar rapidamente aquilo que o produtor levou meses ou anos para construir.
Frango de corte criou outro tipo de avicultura
Nas zonas urbanas e periurbanas tornou-se comum encontrar pequenos e médios produtores que trabalham especificamente com frangos de corte.
Nesse sistema, o objectivo é diferente da criação tradicional. O produtor compra pintos seleccionados geneticamente para ganhar peso rapidamente e fornece alimentação formulada para acompanhar cada fase de crescimento.
A velocidade é justamente uma das razões que tornam o frango atractivo como negócio. Em boas condições de criação, linhagens comerciais conseguem alcançar peso de mercado em poucas semanas. Isso permite realizar vários ciclos durante o ano.
Mas crescimento rápido significa também maior exigência.
Um erro na alimentação, temperatura, ventilação ou fornecimento de água pode afectar dezenas ou centenas de aves simultaneamente. Quanto maior for o lote, maior tende a ser o prejuízo quando o maneio falha.
Por isso, começar com 50 ou 100 frangos e aprender a controlar os custos pode ser mais prudente para um novo produtor do que entrar imediatamente com milhares de aves.
Galinhas poedeiras transformam ração em ovos diariamente

Outra parte importante da avicultura moçambicana é a criação de galinhas poedeiras.
Ao contrário do frango de corte, que permanece relativamente pouco tempo na exploração, uma boa poedeira pode continuar no aviário durante muitos meses produzindo ovos. Isso cria possibilidade de receita frequente, especialmente para produtores próximos de mercados, restaurantes, hotéis, padarias, mercearias e consumidores urbanos.
A produção nacional já alcançou volumes consideráveis. Dados apresentados pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas indicam que Moçambique produziu cerca de 29,8 milhões de dúzias de ovos no último ano referido pelo Governo. Nos primeiros nove meses de 2025, foram aproximadamente 23,2 milhões de dúzias.
Apesar dessa produção, o país ainda importou ovos. Entre Janeiro e Setembro de 2025 entraram aproximadamente 5,4 milhões de dúzias de ovos importados.
Isso mostra simultaneamente crescimento da produção nacional e existência de espaço para continuar aumentando a capacidade interna.
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Na avicultura comercial, a alimentação representa uma das maiores despesas da exploração. Milho e fontes de proteína, juntamente com vitaminas, minerais e aminoácidos, fazem parte da formulação utilizada para atender às necessidades das aves.
O problema aparece quando o produtor tenta reduzir custos simplesmente diminuindo a quantidade ou qualidade da alimentação.
Um frango mal alimentado demora mais para alcançar o peso desejado. Uma poedeira que não recebe nutrientes suficientes pode reduzir a postura. Portanto, economizar na alimentação sem considerar as necessidades nutricionais pode acabar aumentando o custo de produção.
A disponibilidade e o preço das matérias-primas são tão importantes que o Governo colocou a produção nacional de ração entre os pontos estratégicos para aumentar a competitividade da avicultura moçambicana.
Produzir mais milho e soja no país, por exemplo, pode fortalecer não apenas agricultores dessas culturas, mas também produtores de frango e ovos.
Doenças ainda podem destruir uma pequena criação

Nas galinhas locais, uma das preocupações históricas é a doença de Newcastle. Uma exploração aparentemente saudável pode sofrer mortalidade elevada quando uma doença infecciosa entra no galinheiro e encontra aves sem protecção.
A vacinação deve, portanto, fazer parte do planeamento sanitário.
Também é importante evitar introduzir imediatamente no grupo uma galinha comprada no mercado ou proveniente de outra exploração. Uma ave pode parecer saudável e mesmo assim transportar agentes capazes de infectar o restante lote.
Água suja, acumulação de fezes, elevada concentração de aves e entrada descontrolada de pessoas ou equipamentos no aviário também aumentam os riscos sanitários.
Quanto mais comercial se torna a criação, maior deve ser a preocupação com biossegurança.
Criar galinhas pode ser negócio, mas é preciso calcular
Existe uma diferença importante entre possuir galinhas e administrar uma exploração avícola.
Quem pretende transformar a criação num negócio precisa conhecer quanto custa produzir cada frango ou cada dúzia de ovos. Pintos, ração, vacinas, medicamentos, água, energia, cama, transporte, mortalidade e equipamentos precisam entrar nas contas.
Também é necessário pensar no comprador antes de aumentar a produção.
Não adianta produzir centenas de frangos sem saber onde serão vendidos. O mesmo acontece com ovos. Uma exploração pode produzir diariamente, mas precisa de clientes capazes de absorver essa produção regularmente.
Plataformas agrícolas como o AgroMoz podem ajudar a aproximar produtores, fornecedores e compradores. Quem procura galinhas, pintos, ração, equipamentos ou outros produtos avícolas pode pesquisar fornecedores, enquanto produtores também podem apresentar os seus produtos ao mercado.
Galinhas continuarão importantes para a agricultura moçambicana
Os números ajudam a confirmar aquilo que já pode ser observado nas comunidades: a galinha ocupa um espaço importante na economia rural e na alimentação dos moçambicanos.
Existe a pequena galinha local criada no quintal, mas existe também uma indústria de frangos e ovos movimentando produtores, fornecedores de pintos, agricultores de milho e soja, fábricas de ração, vendedores de medicamentos, transportadores, mercados e comerciantes.
Para quem pretende começar, não é obrigatório possuir milhares de aves. Uma criação pequena, bem controlada e com mercado identificado pode ser uma escola muito melhor.
O crescimento deve acontecer conforme o produtor aprende a controlar alimentação, doenças, mortalidade e vendas. Afinal, na criação de galinhas em Moçambique, aumentar o número de aves é relativamente fácil. O verdadeiro desafio é conseguir transformar cada ciclo numa produção sustentável e rentável.