A época do caju em Moçambique acontece principalmente entre Outubro e Janeiro, embora o período exacto possa variar conforme a província, as chuvas, as temperaturas e o comportamento das árvores em cada campanha. Em algumas zonas, os primeiros frutos podem aparecer antes, enquanto noutras a colheita pode continuar depois de Janeiro. De forma geral, Outubro, Novembro e Dezembro são meses muito importantes para quem produz, colhe ou comercializa castanha de caju no país.

Essa época não deve ser confundida com o período de plantio do cajueiro. Quando se fala em “época do caju”, normalmente estamos a referir-nos ao período em que os frutos amadurecem, caem e a castanha é recolhida para consumo, processamento ou comercialização.

A FAO indica que, na África Oriental, a colheita do caju pode decorrer de Agosto a Março, mas o seu pico acontece entre Outubro e Dezembro. Moçambique faz parte desta região e apresenta diferenças de calendário entre as zonas produtoras. Por isso, um agricultor de Nampula pode observar o início da maturação numa altura ligeiramente diferente de um produtor de Inhambane ou Gaza.

Outubro marca uma fase importante da campanha do caju

Outubro é um dos meses que merece maior atenção para quem acompanha o mercado do caju em Moçambique.

Um exemplo recente ocorreu na campanha 2025/2026. No dia 10 de Outubro de 2025, os intervenientes da cadeia de valor reuniram-se e fixaram em 45 meticais por quilograma o preço de referência da castanha de caju para compra ao produtor.

A definição do preço nessa altura acompanha justamente a entrada num período importante da comercialização da castanha.

Isso também ajuda a perceber que a época do caju não envolve somente a maturação das árvores. Existe todo um movimento económico à volta dela. Produtores começam a juntar castanha, comerciantes procuram produto nas zonas rurais, fábricas fazem aprovisionamento e os diferentes intervenientes acompanham os preços.

Na campanha 2025/26, o Instituto de Amêndoas de Moçambique realizou ainda, no início de Novembro, uma reunião nacional para harmonizar procedimentos de monitoria da comercialização e exportação. Isso demonstra como Outubro e Novembro estão directamente ligados à movimentação comercial da cultura no país.

Quando começa a aparecer o caju nas árvores?

Antes de existir castanha pronta para recolha, o cajueiro passa por várias fases.

Depois do desenvolvimento vegetativo, surgem as inflorescências, ocorre a floração, formação dos frutos e finalmente a maturação. A velocidade desse processo não é exactamente igual em todas as árvores.

O clima influencia bastante.

Temperaturas, humidade, ocorrência de chuvas e condições fitossanitárias podem alterar o comportamento do cajueiro. Até dentro da mesma machamba algumas árvores podem começar a produzir antes das outras.

É por isso que não existe um único dia oficial em que todos os cajueiros de Moçambique começam a dar caju.

O agricultor deve observar as próprias árvores.

Quando os cajus começam a atingir a coloração característica da variedade e os frutos maduros caem naturalmente, inicia-se uma fase intensa de recolha.

Qual é o melhor momento para colher caju?

Um erro importante seria retirar grandes quantidades de frutos ainda imaturos apenas para antecipar a comercialização.

O caju deve atingir a maturação adequada. Uma das formas mais simples de reconhecer esse momento é observar a queda natural do fruto.

A FAO recomenda que os cajus maduros sejam deixados cair antes da recolha, justamente para diminuir a possibilidade de colher frutos ainda verdes.

Depois da queda, porém, a castanha não deve permanecer abandonada durante muito tempo no chão.

A recolha frequente ajuda a preservar a qualidade. Em condições húmidas, essa atenção deve ser ainda maior, porque a permanência prolongada no solo pode favorecer deterioração e reduzir a qualidade comercial.

Portanto, durante o pico da safra, visitar regularmente o pomar é muito mais eficiente do que esperar vários dias para fazer uma única recolha.

Novembro e Dezembro são meses importantes para a colheita

Embora existam variações regionais, Novembro e Dezembro estão dentro do período mais importante da safra.

A referência técnica da FAO para a África Oriental coloca precisamente entre Outubro e Dezembro o pico da colheita.

É nessa altura que uma grande quantidade de castanha começa a circular entre produtores, compradores e unidades de processamento.

Para uma família que possui poucos cajueiros, isso pode representar uma fonte complementar de rendimento. Para agricultores com pomares maiores, a organização da colheita torna-se ainda mais importante.

Quanto maior a quantidade de árvores produtivas, maior será a necessidade de mão-de-obra para recolher, separar e preparar a castanha.

Deixar produto maduro durante demasiado tempo no campo significa correr riscos desnecessários.

A época é igual em Nampula, Cabo Delgado e Inhambane?

Não exactamente.

Moçambique é um país extenso e possui diferenças climáticas consideráveis entre Norte, Centro e Sul. Além disso, dentro da própria província existem zonas costeiras e interiores com condições diferentes.

Nampula, principal referência nacional na produção de caju, possui um grande número de produtores e cajueiros. Cabo Delgado e Zambézia também apresentam forte presença da cultura no Norte e Centro-Norte.

No Sul, Inhambane e Gaza igualmente possuem tradição de produção.

As diferenças de precipitação, temperatura, humidade e características locais podem antecipar ou atrasar determinadas fases. Por essa razão, afirmar que todos os produtores começam e terminam a colheita exactamente no mesmo mês seria incorrecto.

O calendário nacional serve como referência. A observação das árvores na própria região continua indispensável.

A chuva pode afectar a época do caju?

Sim. A distribuição das chuvas pode interferir na produção e na qualidade.

O cajueiro possui boa adaptação a condições relativamente secas, mas determinadas fases do seu ciclo são sensíveis às condições meteorológicas.

Chuvas fora do padrão, humidade elevada em determinados momentos e problemas fitossanitários podem afectar flores e frutos. Além disso, chuva durante a fase de recolha exige maior cuidado com a castanha que cai no chão.

O produtor não controla o clima, mas consegue reduzir algumas perdas através de bom maneio.

Manter o pomar em condições que facilitem a recolha, acompanhar as árvores e retirar regularmente as castanhas maduras são práticas simples que podem fazer diferença.

Também é importante acompanhar doenças e pragas durante o ciclo, porque uma árvore debilitada antes da frutificação pode chegar à época da colheita com produtividade abaixo do seu potencial.

O que fazer com a castanha depois da recolha?

A colheita não termina quando o caju é retirado do chão.

A castanha precisa ser separada do pedúnculo, seleccionada e preparada correctamente antes do armazenamento ou comercialização. Castanhas deterioradas, muito húmidas ou misturadas com impurezas podem prejudicar a qualidade do lote.

A secagem é particularmente importante.

Guardar castanha com excesso de humidade cria condições favoráveis para problemas durante o armazenamento. O produtor que pretende esperar pelo comprador deve preocupar-se não apenas com a quantidade armazenada, mas também com a conservação.

O local de armazenamento precisa ser protegido da chuva e da humidade.

Essa etapa influencia directamente aquilo que o agricultor realmente consegue vender. Não adianta colher uma boa quantidade e perder parte dela posteriormente por conservação inadequada.

Quando começa a comercialização da castanha de caju?

A movimentação comercial ganha força justamente durante a época de produção.

A campanha 2025/26 oferece um exemplo bastante claro. Em 10 de Outubro de 2025, foi aprovado o preço de referência ao produtor de 45 MT/kg. Em Novembro, o IAM estava a harmonizar os procedimentos de monitoria da comercialização e exportação. Posteriormente, em Dezembro, foram definidos os preços de referência para exportação.

Na reunião de 9 de Dezembro de 2025, o Comité de Amêndoas definiu preços de referência para exportação de 1.250 dólares por tonelada para castanha de qualidade de 46 libras e 1.440 dólares para a categoria de 53 libras.

A abertura oficial das exportações ficou definida para 19 de Dezembro, depois de se procurar garantir o aprovisionamento da indústria nacional.

Essa sequência mostra como a época do caju cria diferentes momentos dentro da cadeia: primeiro ocorre a produção e recolha nas machambas, depois intensifica-se a compra, o aprovisionamento industrial e finalmente a movimentação destinada à exportação.

Qual é a melhor altura para comprar castanha directamente dos produtores?

Para comerciantes, processadores e outros compradores, o período de maior disponibilidade tende naturalmente a coincidir com a safra.

Contudo, comprar castanha não deve significar simplesmente procurar o menor preço.

A qualidade precisa ser avaliada.

Castanha bem formada, correctamente seca e armazenada em boas condições possui características diferentes de um produto recolhido ou conservado de maneira inadequada.

Também é necessário acompanhar as regras oficiais da campanha e as orientações do Instituto de Amêndoas de Moçambique.

O mercado do caju possui uma cadeia organizada, e decisões como preços de referência, procedimentos de comercialização e abertura das exportações podem influenciar o funcionamento de cada campanha.

Existe caju durante todo o ano?

Os cajueiros permanecem na machamba durante todo o ano, mas a produção de frutos não acontece continuamente durante os doze meses.

Existe um ciclo.

Depois da safra, a árvore passa por outras fases de desenvolvimento antes de voltar a florescer e produzir.

É justamente essa sazonalidade que faz determinados meses terem maior oferta de caju fresco e castanha recém-colhida.

Produtos processados, naturalmente, podem permanecer disponíveis durante todo o ano porque a castanha pode ser armazenada e posteriormente transformada.

Para o agricultor, porém, o rendimento obtido directamente da colheita fica bastante concentrado na época produtiva.

Isso exige planeamento financeiro, principalmente para famílias que dependem significativamente da venda da castanha.

A época do caju é uma oportunidade para os produtores

A chegada da safra representa um dos momentos mais importantes para quem possui cajueiros.

Moçambique voltou a alcançar volumes expressivos de produção comercializada. Na campanha 2024/25 foram registadas cerca de 195,5 mil toneladas, aproximando o país dos níveis históricos de aproximadamente 200 mil toneladas que já chegou a comercializar no passado.

Esse crescimento reforça a importância de aproveitar melhor cada época produtiva.

Não basta esperar que os cajueiros produzam. Limpeza do pomar, controlo de pragas e doenças, recolha frequente, secagem, selecção e armazenamento correcto podem influenciar o resultado económico da campanha.

Portanto, para responder directamente à pergunta “Qual é a época de caju em Moçambique?”, deve-se considerar principalmente o período entre Outubro e Janeiro, com Outubro a Dezembro como meses especialmente importantes para a colheita e comercialização. Esse calendário pode adiantar ou atrasar conforme a região e as condições de cada ano.

Para o produtor, mais importante do que decorar um mês é acompanhar o desenvolvimento dos próprios cajueiros. Quando os frutos começam a amadurecer e cair naturalmente, começa o momento de intensificar a recolha e proteger a qualidade da castanha que será colocada no mercado.