O caju é mais produzido na província de Nampula, no Norte de Moçambique. A província ocupa há vários anos a liderança nacional na produção e comercialização da castanha de caju e concentra um grande número de produtores, cajueiros e actividades de processamento. Depois de Nampula, outras zonas importantes encontram-se sobretudo em Cabo Delgado, Zambézia, Inhambane e Gaza.
Dados oficiais ajudam a perceber a diferença. Segundo o Inquérito Agrário Integrado de 2023, foram comercializadas 77.012 toneladas de castanha de caju em Nampula. No mesmo levantamento, Cabo Delgado registou 22.906 toneladas, Zambézia 20.438 toneladas, Inhambane 15.422 toneladas e Sofala 9.468 toneladas. A comercialização nacional indicada nesse levantamento atingiu 157.496 toneladas.
Isso significa que, naquele levantamento, Nampula respondeu sozinha por quase metade da castanha de caju comercializada no país. É uma diferença suficientemente grande para explicar por que a província é frequentemente associada ao caju moçambicano.
Nampula é a maior produtora de caju em Moçambique
A liderança de Nampula não aparece apenas nas estatísticas nacionais. O Ministério da Agricultura já descreveu a província como estando numa posição consolidada de maior produtora e processadora de castanha de caju do país. Na campanha 2022/2023, foram comercializadas cerca de 77 mil toneladas na província, acima das 67.338 toneladas registadas em 2021.
Naquele período, aproximadamente 83% dos distritos de Nampula produziam esta cultura de rendimento e mais de 300 mil produtores estavam envolvidos no sector. Portanto, o caju não está concentrado numa pequena área isolada. Ele faz parte da economia rural de uma parcela considerável da província.
Essa dimensão ajuda Nampula a manter uma cadeia mais desenvolvida. Quanto maior a concentração de produtores e produção, maior tende a ser também a presença de comerciantes, transportadores, viveiros, serviços de tratamento dos cajueiros e empresas interessadas no processamento.
É por isso que olhar apenas para a quantidade de árvores não explica completamente a liderança de Nampula. Existe uma estrutura produtiva construída durante muitos anos em torno do cajueiro.
Por que Nampula produz tanto caju?
O cajueiro encontrou condições favoráveis em várias zonas da província e tornou-se uma cultura tradicional para numerosas famílias rurais. Além disso, existe conhecimento acumulado entre agricultores sobre a manutenção das árvores, colheita e comercialização da castanha.
Outro factor importante é a renovação dos pomares.
Cajueiros muito antigos podem apresentar produtividade menor, principalmente quando não recebem tratamento adequado. Por isso, a produção e distribuição de novas mudas são importantes para substituir gradualmente árvores envelhecidas e ampliar as áreas produtivas.
As estatísticas do Instituto Nacional de Estatística mostram a dimensão desse esforço. Em 2023, Nampula produziu aproximadamente 1,413 milhão de mudas de cajueiros, a maior quantidade entre as províncias naquele ano. Zambézia produziu cerca de 887 mil mudas, enquanto Inhambane ficou em aproximadamente 686 mil.
Não significa que todas essas mudas automaticamente se transformem em árvores produtivas. Uma muda precisa sobreviver ao estabelecimento no campo, desenvolver-se e receber cuidados adequados. Mesmo assim, a produção de material de plantio mostra a importância atribuída à renovação do parque cajuícola.
Cabo Delgado também é uma importante região de caju
Embora Nampula esteja na liderança, Cabo Delgado é outra província importante na produção de castanha de caju.
No Inquérito Agrário Integrado de 2023, Cabo Delgado registou 22.906 toneladas comercializadas, colocando-se atrás de Nampula.
A proximidade geográfica das duas províncias faz com que o Norte tenha um peso particularmente grande na cadeia nacional. Contudo, isso não significa que toda a produção moçambicana esteja concentrada nessa região.
O caju possui uma distribuição bastante ampla no país.
Zambézia também tem forte presença do cajueiro
A Zambézia é outra região que merece destaque quando se fala sobre onde é produzido o caju em Moçambique. Em 2023, a província registou 20.438 toneladas de castanha comercializada, segundo dados oficiais.
Dentro da província existem zonas particularmente associadas à cultura. Pebane, por exemplo, já foi identificado pelo Ministério da Agricultura como o maior produtor de castanha de caju da Zambézia.
A produção de mudas também demonstra que existe investimento na continuidade da cultura. Em 2023, a Zambézia produziu aproximadamente 887.524 mudas de cajueiros, ficando atrás apenas de Nampula naquele indicador.
Portanto, quem procura compreender a geografia do caju moçambicano não deve olhar apenas para Nampula. Zambézia e Cabo Delgado formam igualmente partes importantes da cadeia.
Inhambane mostra a importância do caju no Sul
Um aspecto interessante da produção moçambicana é que o cajueiro não é exclusivamente uma cultura do Norte.
Inhambane possui uma presença importante. O Inquérito Agrário Integrado de 2023 registou aproximadamente 15.422 toneladas de castanha comercializada na província.
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Como plantar couve-manteiga em Moçambique: O guia para colheitas rápidas e lucrativasO próprio Plano Nacional de Investimento do Sector Agrário inclui Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Inhambane e Gaza entre as províncias prioritárias para intervenções relacionadas com a castanha de caju, incluindo renovação do parque cajuícola, controlo de pragas e doenças e desenvolvimento do processamento.
Isso ajuda a mostrar uma característica importante desta cultura: apesar da liderança muito forte de Nampula, existe potencial produtivo em diferentes regiões do território nacional.
Gaza também produz castanha de caju
Gaza aparece igualmente entre as províncias produtoras. No levantamento de 2023 foram registadas 7.585 toneladas comercializadas.
A produção é inferior à registada nos grandes centros do Norte, mas continua economicamente relevante para determinadas comunidades e produtores.
Além disso, programas de produção de mudas e tratamento de cajueiros ajudam a manter e renovar os pomares existentes. Em 2023, por exemplo, foram produzidas aproximadamente 445.686 mudas de cajueiros em Gaza.
Assim, quando se fala sobre produção nacional, é mais correcto imaginar uma faixa de produção que atravessa várias províncias do que pensar numa cultura existente apenas numa região específica.
E a província de Maputo?
Também existem cajueiros e produção comercial na província de Maputo, embora os volumes sejam muito menores quando comparados com Nampula.
O Inquérito Agrário Integrado de 2023 registou 518 toneladas comercializadas na província de Maputo.
Dentro da província, Manhiça tem particular importância. Dados divulgados anteriormente pelo Ministério da Agricultura apontavam o distrito como o maior produtor provincial, chegando a representar 52% da produção da castanha de caju da província naquele período.
Portanto, mesmo nas proximidades da capital existem oportunidades ligadas ao cajueiro, embora a escala seja bastante diferente daquela encontrada em Nampula.
Quais são as principais províncias produtoras de caju?
Com base nos dados oficiais de comercialização de 2023, Nampula aparece claramente à frente, seguida por um grupo de outras províncias com participação importante.
Nampula registou 77.012 toneladas; Cabo Delgado, 22.906 toneladas; Zambézia, 20.438 toneladas; Inhambane, 15.422 toneladas; Sofala, 9.468 toneladas; Gaza, 7.585 toneladas; Manica, 4.111 toneladas; e Maputo Província, 518 toneladas.
Os números podem variar de campanha para campanha devido à produtividade dos cajueiros, condições climáticas, ocorrência de pragas e doenças, preços e quantidade efectivamente colocada no circuito de comercialização. Por isso, os valores de um determinado ano não devem ser tratados como permanentes.
A tendência histórica, entretanto, deixa clara a posição dominante de Nampula.
Nampula continua no centro da cadeia do caju
O peso de Nampula torna-se ainda mais relevante quando observamos o crescimento recente da produção nacional.
Moçambique alcançou aproximadamente 195.400 toneladas de castanha de caju comercializada na campanha 2024/25, aproximando-se dos níveis históricos do início da década de 1970, quando o país chegou a cerca de 200 mil toneladas.
É uma recuperação importante para uma cultura que continua ligada ao rendimento de muitas famílias rurais.
Para manter esse crescimento, não basta aumentar o número de cajueiros. Será necessário renovar pomares envelhecidos, melhorar o controlo de pragas e doenças, utilizar material de plantio de qualidade, aumentar a produtividade por árvore e garantir melhores condições de comercialização.
Nampula parte de uma posição privilegiada porque possui grande experiência acumulada, elevado número de produtores e uma cadeia de comercialização e processamento já estabelecida.
Por isso, para responder directamente à pergunta “Onde é mais produzido o caju em Moçambique?”, a resposta continua a ser Nampula. Os dados disponíveis colocam a província muito à frente das restantes e confirmam o Norte como uma das regiões mais importantes para a cultura. Cabo Delgado e Zambézia também possuem forte peso, enquanto Inhambane e Gaza demonstram que o caju continua a ser uma cultura relevante igualmente no Sul.
Para o produtor, comerciante ou empresa que pretende entrar nesta cadeia, conhecer essa distribuição é importante. Ela ajuda a perceber onde existe maior concentração de produção, onde podem surgir oportunidades de compra e processamento e quais regiões têm potencial para expansão. Com a produção nacional novamente próxima dos máximos históricos, o mapa do caju em Moçambique pode tornar-se ainda mais importante para a agricultura e para a economia rural do país.